Considerada um mal do século, a depressão afeta um número cada vez maior de pessoas a cada ano. É conceituada como uma doença da mente caracterizada por uma tristeza profunda, desânimo e baixa autoestima, comumente tratada com antidepressivos e acompanhamento psicológico.
Atualmente, estudos descobriram a íntima relação da depressão com mais de trilhões de microrganismos que habitam no intestino como bactérias, vírus e fungos, a chamada microbiota intestinal. Esses microrganismos são essenciais na digestão de alimentos, síntese de vitaminas, modulação do sistema imunológico e podem influenciar o humor e comportamento.
O grande problema está quando esses microrganismos estão em desequilíbrio, propiciando um aumento desproporcional de microrganismos maléficos em relação aos benéficos, causando o que conhecemos como disbiose.
Estudos foram feitos e verificou-se que indivíduos com depressão apresentam alteração na composição da microbiota intestinal, podendo influenciar na produção de neurotransmissores como a serotonina, conhecida como o hormônio da alegria. Sabe-se que a produção desse hormônio é muito baixa nas pessoas com depressão. A situação piora pois as toxinas dessa microbiota causam lesões às células intestinais. Essas lesões aumentam a permeabilidade intestinal e com isso as toxinas entram na corrente sanguínea suscitando uma resposta imune causando inflamação, um fator importante na causa da depressão, pois afeta negativamente o funcionamento do cérebro, levando a sintomas depressivos. Por isso, indivíduos depressivos tendem a ter a parede intestinal mais permeável e, quanto mais a permeabilidade intestinal se acentua mais a disbiose evolui.
Os hábitos e estilo de vida das pessoas contribuem ainda mais para complicar esse quadro. O uso de laxantes para a prisão de vente, antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, antiácidos dentre outras medicações, bem como uma alimentação industrializada e processada desregulam ainda mais a flora intestinal, reduzindo também o potencial imunológico.
A disbiose apresenta-se de duas formas: disbiose putrefativa e disbiose fermentativa.
Disbiose putrefativa: ocorre quando os alimentos são mal digeridos e apodrecem no intestino, geralmente quando o alimento é de origem animal e com poucas fibras.
Disbiose fermentativa: ocorre quando a alimentação é rica em carboidrato e açúcar refinado decorrente de sua má digestão.
E o que fazer para acabar com a disbiose e regularizar a flora intestinal?
Para resolver a questão da disbiose é comumente recomendado o uso de probióticos (bactérias benéficas). No entanto, essa não seria a melhor maneira de resolver a situação, pois apesar do uso de probióticos aumentar a quantidade de bactérias boas no intestino, isso não resolveria a causa do problema.
Por exemplo, uma pessoa com prisão de ventre, que não consegue defecar todos os dias, tem um acúmulo de fezes paradas no intestino que, além de favorecer a disbiose, liberam produtos tóxicos aumentando a permeabilidade intestinal. Essas toxinas são absorvidas pela corrente sanguínea e, como já falado, reverbera em sintomas depressivos com a diminuição da produção de serotonina. Neste caso, o problema não se resolveria, a princípio, com uso de probióticos, mas com a resolução da causa do problema: a prisão de ventre. Entende?
De fato, precisamos ter um olhar mais voltado não apenas para o aspecto psicológico da depressão ou para o seu tratamento medicamentoso, mas também em como manter o intestino funcionando de forma saudável para que haja o perfeito equilíbrio da flora intestinal.
E para manter o intestino saudável, aqui vão algumas dicas:
– Consuma mais alimentos naturais como frutas, verduras, grãos, cereais e sementes pois ajudam a alimentar bactérias benéficas do intestino;
– Evite alimentos industrializados, processados, gorduras e açúcar refinados pois prejudicam o equilíbrio da flora intestinal;
– Beba bastante água ao longo do dia para o bom funcionamento do intestino;
– Pratique exercícios físicos regularmente pois melhora a motilidade intestinal e o equilíbrio da flora.
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